14.12.13

sobre palavras

Tenho agora, nesse exato momento, um espaço vazio para preencher. Concretamente é o espaço em branco da tela do computador que preencho com símbolos que chamarei de palavras. Essas, as tais palavras, quando se juntam começam a ganhar muitos sentidos, significados, possibilidades de interpretação. Nada além do óbvio. Aliás, pra mim, uma boa definição de óbvio seria: o que é escondido pelo o que eu gostaria que fosse.

Embora todas as palavras que eu use aqui sejam já bem conhecidas (ao menos aos aptos à língua portuguesa), a junção delas nessa ordem específica é provavelmente única. Entenda, você que lê, que é muitíssimo improvável que alguma vez em toda a história e em qualquer lugar do mundo essas palavras tenham se juntando assim, dessa maneira que você lê agora. Isso é óbvio, mas profundamente assustador. Assustador pensar que símbolos tão batidos, conhecidos, desgastados (!), nunca tenham sido juntados assim, e que tantas outras junções estão ainda por vir.

Seria possível esgotar todas as possibilidades de junções das palavras em comunicações significantes?

Talvez algum super computador pudesse fazer isso. Ou talvez não. Talvez (sim, talvez de novo) haja alguma coisa por trás dessas junções que não seja mecânico, pautado em regras, mera opção de possibilidades previstas. Talvez (é...) tenha algo de humano na junção das palavras que torne os resultados sempre imprevisíveis, com possibilidades infinitas e sem nenhuma mecanicidade cientifica. Realmente acredito nessa força invisível que faz com que as palavras juntas não sejam apenas frases, mas energias capazes de alterar as coisas, as pessoas e os fluxos (anti)naturais.

Isso tudo é óbvio.

Preencher o espaço com essas palavras é não aceitar o óbvio. 

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