14.6.18

emaranhamento

tento
manusear com cuidado
esse delicado emaranhado
frágeis fios coloridos
das nossas memórias

falho
ao desfazer os nós
rompo alguns fios
aperto ainda mais
algumas combinações

choro
meus dedos não são
suficientemente hábeis
minha força é incapaz
de desfazer o nós

11.5.18

limite surdo

a fronteira do eu
não é bem como um muro

nem uma cerca
arame farpado
alarme a laser

não como um campo aberto
ou uma ponte bem iluminada

a fronteira do eu
é mais próxima
de um abismo

tem bem a forma de um grito
ineficaz

5.5.18

[o olho que vê]

o olho que vê
nunca se olha

a face que expressa
oculta o emissor

a mente
não está nem aí
pra gente

28.4.18

coemergência

avisar a aparência
sobre sua própria
superficialidade

o oculto
então
se achará profundo

talvez nem se deem conta
que juntos manifestam o mundo

26.4.18

aflorar

olhar para o movimento
da flor

olhar para o sentimento
que brota

esperar para ver
- propositalmente? -
a flor murchar

assumir os dois pólos
da palavra
aflorar

2.4.18

então amanhã

haverá um dia
como aquela outro dia
que haveria
de ser 
o dia
que
havíamos todos esperado

uma pena que esse dia
tenha sido
hoje

e nós 
só 
vamos reparar
amanhã

24.3.18

juramento

a verdade
é uma alienada

esconde com gesso branco
que não sabe de nada

é frágil como um ouvi dizer

a verdade
é a coragem
despreparada