22.3.13

em busca de significação

Valorar é viver. Essa frase ressoa em mim desde que percebi, há alguns dias atrás, que a vida é intrinsecamente feita de valorações. Assim me senti livre pra valorar o que me rodeia e assim decidir o que quero perto ou longe. Não que eu já não fazia antes, mas é que sempre o fiz com um pouquinho de culpa por trás de cada escolha. Como que se escolher nabo fosse sacanagem com a cenoura (ou preconceito? ou conceito?). Valorar é inevitável em qualquer escolha. Sem escolhas não me afirmo como ser humano, individual, livre, criativo, ativo. E quando escolho, além de valorar, significo. Significo o algo escolhido a mim e ao mundo. Poetizo. Valoro pra significar, significo pra viver de forma poética.

A poesia e a significação estão intimamente ligados. E se falo isso não falo como mera opinião, mas como provocação pra uma investigação de algo universal. A porosidade que o olhar poético exige permite a significação suave das coisas. Cada pequena letra de uma palavra significa nesse olhar mais demorado, nesse olhar poético. Se abrem novas percepções e o que antes seria nada, se torna tudo, é significado. E quais os critérios dessa significação? Nenhum. Ou todos. Cabe a quem olha (e não ao próprio, como querem alguns) dar essas pequeninas significações as coisas. E nisso surge observação totalmente de mundo.

É nesse sentido o esforço de escrever poemas. Significar. Se exponho-os a um espaço vazio, com total incerteza de quem alguém o lerá, é porque me esforço pra dar essa significação, que só será completa, claro, com a significação do(s) outro(s). É o risco das coisas que servem a nossa inutilidade. E são dessas coisas que se pode esperar alguma mudança verdadeira, alguma valoração positiva do mundo, (alg)uma revolução! Não nos moldes da luta, mas nos moldes da suavidade, da poética. De (re)significações pode-se criar realidades totalmente novas, pode-se trazer mais pra perto as utopias intangíveis. Significar é viver.

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